Hella S Moura (microcontos)

Os contos d’Hella.

(sem título – Poema)

Eu sou a toca onde os animais se escondem
O escuro onde se abrigam
das tempestades e das ondas de calor
Sou o aconchego da escuridão
Da umidade ancestral, do ventre materno
Sou o tato instintivo
Sou o mover-se por espaços adivinhados
Sou o adivinhar espaços movediços

Eu sou a noite das sutilezas
Parcamente iluminada por estrelas, vaga-lumes,
por luares inconstantes, por olhares felinos
Sou o silêncio alerta dos mamíferos
contra a algazarra incerta dos insetos
Sou o sereno, o frio e o vapor

Eu sou a fumaça que se esvai
das fogueiras temerosas, tímidas
Sou a fumaça que foge ao brilho e ao calor
rumo ao sabe-se lá onde, onde as faíscas não alcançam

Eu sou o silêncio coletivo do faltar-me as palavras
sou o adivinhar o som provável
de uma distante bandeira furiosa
Sou o vento, invisível, ensurdecedor,
a enfurecer bandeiras, destelhar chapéus, desordenar cabelos

Sou o que não se tateia, mas se ouve
Sou o que não se ouve, mas se vê
Sou o que não se vê, mas se adivinha
Sou o que não se adivinha, mas se sabe

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07/02/2010 - Posted by | Uncategorized

1 Comentário »

  1. Muito bom! Tão maduro. Ainda tenho umas poesias suas mais antigas que são o “engatinhamento” das atuais.
    Beijos da irmã que te admira!

    Comentário por Cristina | 24/02/2010 | Responder


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